15 novembro 2015

BOLO DE BATATA DOCE

As lojas convidam-nos a entrar. A sentir o ambiente natalício pintado a vermelho e branco, metalizados mais arrojados, os alternativos azuis noite e rosa cintilante, ou num tom mais rústico, mais quente, mais natural, cheio de magia, as madeiras cheias de neve, um bosque encantado povoado com os animais mais amorosos da estratosfera, as bolotas e as estrelas, as pinhas e as coroas salpicadas de leves prateados, renas e trenós, as mantas brancas felpudas, um verdadeiro sonho... seja qual for a decoração que irão escolher para este ano, encham esses corações de luz, fé e magia.

Espero o ano todo pelo natal. Qual criança cheia de entusiasmo e um sorriso transparente no olhar. Assim que sinto os primeiros graus de frio a fazerem-se sentir, penso que já posso desembrulhar todo o material meticulosamente guardado, em caixas etiquetadas e com um especial atenção para os mais distraídos, FRÁGIL. Frágil só na estrutura, porque assim que saem todos os coelhos da toca, a casa fica mágica. Com um brilho e uma luz que pouco se deve há iluminação estrelada que envolve a árvore, de madeira, rústica, rude até. O vermelho tem predominado o meu coração, mas este ano dispo-me de adereços... vai tudo ao natural. Sobre a madeira, temos madeira, temos corda, temos animais do bosque, temos bolotas, temos neve, temos uma misteriosa casinha de doces, temos folhas prateadas, temos renas, bambis, esquilos, raposas, anjos, um trenó e um gigante coração, de madeira. Quente, castanho e sem brilho, mas nele cabem todos os meus sonhos. Nele está depositado tudo o que desejo para este natal. Toda a fé, toda a magia e todo o amor. 

O frio não chegou, São Martinho não deixou. Não sou dada a tradições e seguindo a lenda que o natal é quando um homem quiser... cá por casa já é natal. As decorações estão feitas, o ambiente é de festa, as crianças já fizeram a carta ao senhor de barbas brancas, já pensamos em bolo rei e azevias de batata doce, na ementa da consoada, no rejubilar do rasgar papel e encontrar os presentes que tanto desejamos... só falta mesmo o frio... e a lareira... e o chocolate quente.

Para comemorar o começo desta epóca, temos um bolo, pois claro. Um bolo igualmente despido de adereços mas tão rico e tão cheio de amor. Um bolo de batata doce. Grandioso e imponente, fez as delícias de quem o provou. Tão simples no olhar, mas tão corajoso no seu interior. Que toda a sua bravura, encha uma mesa farta de amizade, um olhar terno de cumplicidade, um abraço meigo de perdão. Um bolo irresistível. Um bolo com ar de natal. Um bolo para qualquer ocasião em que se celebre o AMOR!


BOLO DE BATATA DOCE

2 batatas doces grandes (para obter 1 chávena de puré)
2 chávenas de farinha com fermento
1 c. (chá) de fermento em pó
1 c. (chá) de canela
1 pitada de noz moscada
4 ovos (4 gemas + 4 claras)
2 chávenas de açúcar 
1 c. (chá) de pasta de baunilha
1 chávena de leite de amêndoa (ou outro)
1/3 chávena de azeite

Comece por assar as batatas. Tem 2 opções para o fazer: pode cortar as batatas em quadradinhos e regar com um fio de azeite e levar ao forno a assar (sem pele) OU pode assar as batatas com a casca e no fim retirar a polpa. Se optar pela primeira opção, depois de assadas, triture-as num robot de cozinha. Vai precisar de 1 chávena de puré.

Aproveite o forno ligado e regule-o para 180º.

Numa tigela peneire os secos: farinha, fermento, noz moscada e canela.

Na batedeira elétrica coloque: puré de batata + baunilha + 1 1/2 chávena de açúcar + azeite e bata tudo durante 3 minutos. Após este tempo, junte as gemas, uma de cada vez. Depois das gemas envolvidas, introduza alternadamente a farinha com o leite. Reserve.

Noutra taça da batedeira, bata as claras em castelo com o restante açúcar. Vai ficar com um merengue acetinado. Envolva delicadamente na massa anterior.

Leve ao forno em 2 ou 3 formas, untadas e forradas com papel vegetal. Depois de frio, corte o bolo e decore-o a gosto. Eu usei compota de mirtilos e arandos e framboesas frescas esmagadas. Combina muito bem com o sabor imponente da batata doce. Pode experimentar outros recheios ou coberturas: ganache de chocolate, buttercream, merengue, etc.