03 novembro 2015

Cheesecake de Abóbora


Isto o melhor da festa são mesmo as sobras que habitam no frigorífico à espera do mais guloso ataque de gula. Ficam a apurar, maquiavelicamente no ponto em que alguém não resiste e cai de boca a uma dentada feroz. No silêncio de uma lua cheia, seria perfeito, até mesmo romântico, não fossem os meus filhos estarem ambos doentes e o mais novo ter inundado a minha cama de uma virose monstra que nos acorda de hora a hora. E raios... não é para comer cheesecake na calada da noite! É para procurar em modo zoombie o frasco de brufen mais próximo (e o irritante doseador que nunca está dentro da embalagem), ligar o aerossol à tomada, injetar-lhe o soro e esperar pelo grito de silêncio... até que a tosse acabe e eu, consiga com proeza e destreza, dormir 2 minutos de uma profundidade tal... que me pareceu ter ido lamber ali a ganache do último da fila.

Bem, o Halloween teve muito glamour mas holofotes apagados e instalou-se uma enfermaria cá em casa. Já nem me recordo bem da última noite em que dormi. Febres altíssimas e tosses de fazer saltar a paciência a qualquer um. Fome zero. Choro mil. Ida à urgência com dois filhos com diagnósticos diferentes. Instinto de mãe diz que... há sempre algo mais que nos ocultam no mundo das viroses que depois passam e depois é preciso pachorra e depois merda! Sou mãe leoa, fico descontroladamente neurótica com os miúdos doentes. Eu própria sinto as dores de garganta, de barriga, de ouvidos... fico em espasmo irracional. Detesto medicamentos e acho que não fazem nada bem. Ou deviam fazer mas a bicharada anda mais esperta. Portanto assaltam-me milhões de dúvidas sobre farmacêuticas e afins. Não interessa... anda tudo medicado cá em casa. Apesar do fastio.. a minha gula por dias melhores obriga-me a um cuidado redobrado às sobras. Não sou dada a estragos... e estes 3 estavam sozinhos num canto do frigorífico. Deixados à sorte de um sortudo fado. Eu cá prefiro arregaçar as mangas e definir entre linhas o destino para qual foram criados. Só tive de reforçar a ganache.

Estes mini cheesecakes do tamanho de um cupcake são assim um fast relieve na minha ansiedade de mãe. Não são assim tão estupidamente calóricos como podem pensar. Primeiro, são mini doses. A ideal. Tipo pastel de nata no café. Tipo macarron no chá. A combo ideal, destes pequenos seres, é mesmo o par que lhes quisermos arranjar. Segundo, leva puré da melhor abóbora orgânica que conseguirem comprar. São caras para xuxu mas vale a pena. O puré é muito melhor. E depois se não quiserem acrescentar calorias, metem uma frutinha em vez da ganache... esqueçam lá a fruta, abóbora já é legume e precisa de um bom chocolate a colar-se assim como quem pede cafoné

Agora xôooo bicharada que a mãe tem de trabalhar (e as sobras acabaram hoje). Ahh quase me esquecia de falar daquelas mini bombas calóricas, a pousarem inocentes na ardósia... pecan embrulhadas em caramelo. É o meu anti depressivo natural. Sem químicos, já que carne e peixe andam pela rua da amargura. 


CHEESECAKE DE ABÓBORA

Base

1 pacote de bolacha Digesta
1 c. (sopa) açúcar mascavo
+/- 100g margarina derretida
1 c. (café) canela
forminhas de cupcakes e respetivo tabuleiro

Triturem a bolacha num robot de cozinha ou se preferirem a minha versão: bolachas dentro de um saco de congelação e umas boas marteladas com o rolo da massa. Assim obtenho pedaços de bolacha de vários tamanhos, que se torna muito mais interessante do que pó de bolacha. Juntem a margarina derretida, o açúcar e a canela. É provável que sobre "base". Em cada forminha coloque 1 a 2 colheres de sopa deste areado (depende do tamanho das formas que usar) e acalque com a ponta dos dedos. Leve ao frio para prender. Como fariam com um cheesecake de grande porte. 

Recheio

1 chávena de puré de abóbora
200g de queijo creme (uso sempre philadelphia light)
2 ovos
1 c. (café) pasta de baunilha orgânica (opcional)
2 c. (sopa) de natas
1 c. (café) canela
1/2 chávena de açúcar
1 c. (sopa) de farinha
1 c. (café) gengibre em pó

Assar previamente a abóbora no forno e reduzir a puré. Numa batedeira, bata o queijo com o açúcar. Junte os ovos, um de cada vez. Juntar as especiarias, as natas, a baunilha, a farinha e por fim o puré. Encha as forminhas (que estão no frio) e leve ao forno pré aquecido a 175º. Deixe cozer uns 25 minutos (estejam atentos ao forno porque eu faço multi tasking enquanto deixo coisas a cozer... mas acho que entre 20-30 minutos e estão prontos).

Depois de cozidos, deixem arrefecer e levem ao frio. Sempre dentro das forminhas, atenção! Só depois dos cheesecakes frios, porque apesar de serem cozidos são para comer frios... é que retiram as forminhas de papel onde cozeram.. e regam com a vossa melhor ganache (para quem tiver dúvidas: 200ml de natas fervidas + 200g de chocolate de boa qualidade).