06 janeiro 2016

DIA DE REIS ... E UMA GALETTE


Dia de Reis. Após uma longa caminhada, encerramos mais um ciclo de festividades. Para trás fica o cheiro a canela, as caixas de ovos a desaparecer do frigorífico, os sonhos em excesso e os demais excessos tão típicos e tão familiares. De uma mesa farta, passamos agora a uma mesa cheia de "detoxs", sopas, saladas e escassos doces. É por isso que a versão one bite size funciona na perfeição. Cada um terá direito à sua parte sem mergulhar num todo cheio de partes, em que as partes são diabolicamente atraentes para two ou quiçá three bites sizes. Uma perdição controlada, já com ar de guerra declarada aos four kilos de Natal. Dam it!

É sempre um desafio fazer algo que nunca provei. Na minha memória de infância, não foram encontrados registos de nada semelhante e que fosse tradicional neste dia. Sempre joguei na liga do bolo rei, porque sou fã das frutas cristalizadas, contrariamente à maioria das pessoas (consigo comer aquelas cerejas enormes assim, diretas da caixa, como quem come da árvore... xiuuuu, guardem segredo). Arrisquei, sem medos. Não sabendo ao certo ao que sabe, mas o meu astuto palato consegue aproximar-se de algo muito real, sentir cada ingrediente e achar que deve ser este o caminho certo para uma tradicional Galette des Rois. Para desmistificar, estas tartes são muito simples de fazer e são compostas por 3 peças fundamentais: massa folhada + creme pasteleiro + frangipane. A partir daqui, é deixar fluir a imaginação e arriscar. Eu própria vou arriscar uma próxima versão com cacau, outra com pistácio e outra talvez com avelã e chocolate.

São delicadas como uma brisa, leves como as nuvens, as amêndoas estão lá na medida certa, sem recurso a aditivos que lhes estraguem o percurso em pontas, são pequeninas e equilibradas. Umas princesas, com a imponência de uma rainha. Por esta altura, os ponteiros de todas as balanças das redondezas já acusam perímetro vermelho, alerta laranja, zona de perigo, excesso de bagagem... ou devo dizer bagagem fora de formato?! Bem... passemos ao plano. Dia de Reis é o dia em que se acabam estas comezainas giras e fofas, mesmo com ar singelo e delicado... game over! Voltar ao foco, às caminhadas, às corridas, ao ginásio, ao PT, às refeições equilibradas e a tudo o que nos custa horrores iniciar. No fundo, pensem comigo... é voltar a olhar para nós, não deve custar assim tanto.

Por hoje, brindemos e festejemos, com galette ou bolo rei.. o importante é assinalar a data com um miminho docinho. Que este dia nos traga prosperidade, alento, paz, luz, sabedoria, consciência... tudo menos kilos a mais.


GALETTE DES ROIS

2 bases de massa folhada de compra (redondas) - rende 8 mini galettes

Creme Pasteleiro:
125ml de leite de soja (ou outro)
50g de açúcar
2 gemas
10g de farinha
10g de maizena
1 vagem de baunilha

Frangipane:
200g de amêndoa moída
125g de manteiga (à temp. ambiente)
150g de açúcar em pó
2 ovos
2 colheres de sopa de aguardente DOC da Lourinhã (ou Rum)
20g de maizena
raspa de limão ou laranja ou extrato/essência de amêndoa q.b (optei pelo limão)

Comece por fazer um creme de pasteleiro simples. Se tiver uma Bimby, fará esta receita muito mais rápido, basta juntar todos os ingredientes dentro do copo e programar: 7 min/90º/vel 4. Deixar arrefecer com uma película por cima do creme para não criar aquela pele espessa. Reserve.

(Se optar pelo método tradicional, aqueça o leite enquanto faz uma gemada. Junte as gemas com o açúcar e a vagem de banilha. Acrescente a farinha e a maizena. Derrame o leite em fio para a gemada e volte ao lume para engrossar. Quando estiver com a textura de creme de pasteleiro, retire do lume, tape com película e deixe arrefecer.)

Para o creme frangipane, junte a manteiga com a amêndoa, o açúcar e a maizena. Use a velocidade 3 para homogeneizar a mistura. Junte os ovos, um de cada vez, sempre na mesma velocidade. Adicione a bebida alcoólica e a raspa de limão. 

(Versão tradicional: bata a manteiga com o açúcar, até obter um creme. Junte a amêndoa e a maizena. Envolva. Junte os ovos, um de cada vez. Finalize com a bebida e a raspa ou a essência.)

Quando o creme pasteleiro estiver frio, mitsure os dois cremes. Guarde no frio. 

Retire uma placa de massa folhada e faça pequenos círculos com o cortador de bolachas que tiver ou use uma tampa para o efeito (de um frasco, tupperware, etc). Pincele a borda dos seus círculos com um pouco de clara, para depois colar a segunda placa, a que fecha o recheio, numa "concha". Confesso que se não usar clara, a massa folhada cola igualmente bem. Vi vários vídeos em que pasteleiros a usavam e outros não. Com o recheio já bem frio, seja generoso na quantidade e recheie os círculos de massa. Vá buscar a segunda placa de massa e corte a mesma quantidade de círculos, mas (isto é importante) ligeiramente maiores. Diria com mais 1cm de diâmetro que os primeiros. Isto vai facilitar a fechar as "conchas". Use a ponta dos dedos para fechar as laterais da tarte e com as costas de uma faca, faça umas preguinhas. Com as tartes já fechadas, faça uns desenhos na parte superior das mesmas, usando o bico da faca. Pode fazer o desenho mais tradicional, em meias luas. Ou se preferir, desenhar uns losangos. Pincele com gema batida em água ou leite e leve as galettes ao frio. 1h depois, volte a pincelar com a gema e agora sim vai ao forno, pré aquecido a 180º-200º, até dourar. O pincelar 2x ajuda a dar um vidrado bonito à tarte.

FELIZ DIA DE REIS!