22 março 2016

BOA PÁSCOA!


Uma Páscoa que se antecipa no calendário. Uma Primavera que chegou aos soluços como quem pisa desconfiada um pavimento irregular, num pára arranca, entre silêncios desconfortáveis e mente focada numa qualquer praia pantone nº 337. Vamos dar tempo ao tempo. As maiores conquistas precisam de tempo, planeamento e um bocadinho do sabor árido do deserto. Grandes tempestades só cabem em corações corajosos. Acredito na audácia, mas adiante. Começamos um novo ciclo e todos os (re)começos têm algo de mágico. Um sabor doce e muita cor, para nos vestirmos a rigor. Acreditar que somos capazes, mesmo que aquele tempo, leve km de tempo e a estrada, em terra batida, desgastada pelo tempo e tempestades de areia, seja a melhor confidente. 

Doce e florida, esta mesa de lanche dá as boas vindas à estação mais querida de sempre. Espertalhona, aproveita para fazer uns olhinhos tentadores à Páscoa, que se colou de feição. Não havendo coelhinho, que os miúdos já não vão em cantigas, a caça ao ovo era um tema que tinha em mente para reproduzir, mas o gps troca-me tantas vezes as voltas à rota inicial. Não acusa obras na estrada da vida e lá vamos nós, pelo percurso maior. No fim, o importante é termos chegado ao destino e agradecer pelo aprendizado da viagem. Ao menos não pagamos taxa e não temos de partilhar a corrida com estranhos. 

Denoto um interesse súbito este ano pela festividade. Se até ao ano passado, lhes passava ao lado, este ano os ovos de chocolate são motivo de não sairmos do supermercado sem lavar uns quantos corredores a calça de ganga. E têm de ser os maiores, com imenso plástico lá dentro que, segundos depois, está debaixo do sofá e só o encontramos quando mudarmos de casa. Com o meu poder de persuasão lá consigo trocar o maior dos ovos, por muitos e pequeninos. A qualidade não é variável em discussão, mas sim a quantidade. Posto isto, há ovos de chocolate escondidos nos 4 cantos da casa, visto que as amêndoas são quase um legume e os folares são bolos com ar estranho. Principalmente, os que têm ovos cozidos. Convenhamos, não são atrativos. É que os meus filhos só comem ovos cozidos com bacalhau. Façam lá a associação.

Portando, dia de agradecer por mais um equinócio e mais uma desculpa para meter a casa em alvoroço. Meti as mãos na massa e rapidamente diz um bolo de chocolate (com recheio de mascarpone) para os miúdos fazerem uma mini caça ao ovo, umas panquecas de limão e ricotta a combinar com uma compota de framboesa e chia (que se faz em poucos minutos), umas broas de canela e nozes (para o chá) e uns copinhos de iogurte grego e granola (a minha, claro). As flores já tinha comprado durante a semana porque gosto de dar um bocadinho de alma ao ambiente. Tudo o resto (tábuas, cake topper, washi dourada, cake stands, suculentas)... é prata da casa. Não há desculpas para não fazermos coisas giras. Aproveitem as férias da criançada e contratem os dotes artísticos dos pequenos. Os meus estão agora a fazer umas bolachas de baunilha em formato de cenoura e coelho, deliciados e enfarinhados até à epiderme. 

UMA BOA PÁSCOA, com o sol a brilhar e um grande amor co piloto.