23 janeiro 2017

Tão simples como o AMOR


O AMOR! Sentei-me na minha secretária nova (um AMOR recente confesso). Branca e cheia de luz, com tudo aquilo que me embebeda a inspiração e me faz tão feliz: delicadas estrelas douradas, a simplicidade das flores do campo, a robustez das madeiras, os meus sonhos meticulosamente guardados num frasco de vidro, carregados de purpurinas douradas e uns salpicos de corações cor de rosa, há riscas também, amo riscas e há palhinhas e toppers de bolos (mais uma vez, estrelas, corações e dourados).. há muito dourado por estas bandas... com uma generosa dose de chá, música ambiente, os últimos raios do dia antes do rei se pôr e, encorajada pelo tema, decidi que era hoje que escreveria sobre o AMOR. Não me saiu uma palavra. Uma frase. Não houve uma construção coerente que me mantivesse num estado de paixão acessa o suficiente para prosseguir. Desligo o computador, tento amanhã. 


O amanhã e o day after foram preenchidos com outro tipo de AMOR. Um AMOR que me preenche os dias e o fazem palpitar a full time. Os meus filhos, rapazes e sem a mínima experiência em purpurinas e bird watching (o fenómeno mais associado ao estado PAIXÃO, conotado vulgarmente por passarinho azul) e, sobre o complexo AMOR perguntam se dá para brincar, se encaixa em alguma peça Lego de edição limitada, se se veste num dia cinzento, se sabe a morangos com chocolate, se podemos levar ao parque... enfim, afinal para que serve e em que quantidades é seguro usar. É que sobre ele muito se divaga, muito se escreve e pouco se sente de verdade. A sua intensidade é tão vorazmente arrebatadora que nos tolda o sentido crítico do conceito. Mas depois há toda a ingénua simplicidade, como pisar areia num dia de Inverno, fechar os olhos e sentir a brisa do mar que nos faz amar aquela sensação, sem sabermos porquê, sem mas... sem nos questionarmos o motivo de tamanha invasão de privacidade, e soberba entrega ao estado AMOR.


Com o sol a brilhar e a penetrar novamente na minha secretária, nesta paz que antecede a recolha escolar, sinto que o AMOR vai falar mais alto e, talvez seja hoje que consiga falar de algo tão especial. O AMOR pinta-se de variadas cores, consoante a estação do ano em que floresce, este ano decidi-me pelos rosas e dourados, não fosse eu uma glitter girl assumida. E se há AMOR que me conquista, é um bom pequeno almoço a dois (bom garfo pois claro), naquele sunday morning mood, onde não existe mundo lá fora, onde estamos docemente envolvidos numa bolha de amor, almas despidas e sorrisos que saem em forma de palavras. E há os suspiros, misteriosos e carregadinhos de expressão. E como é delicioso sentir o AMOR em pequenos mimos, servidos numa torre de panquecas, num bolo caseiro com fruta fresca, nuns amorosos frascos de chia e num cartão lamechas, onde aqui sim, são permitidas palavras, até as corriqueiras. Tudo o resto é para ser sentido, vivido e degustado... como quem faz a viagem da sua vida, como quem realiza o seu sonho de criança, como quem se entrega a um primeiro e Adamastor AMOR.

Tal como tenho escrito ao longos dos meses em centenas de autógrafos, o AMOR é o ingrediente principal na minha cozinha, nas minhas receitas e na minha vida em geral. Nem sempre o tive por perto, nem sempre o senti, mas uma vez que o encontramos cá dentro, é nosso para sempre. E tudo o que o carregue, torna-se leve. Tudo que o toque, brilha. Tudo o que com ele se cruza, fica fácil. Tudo o que com ele é temperado, fica doce. Usem e abusem deste ingrediente mágico, troquem AMOR com as pessoas que gostam, sejam amigos, familiares, namorados/maridos/amigos especiais, filhos, ... quem dá AMOR recebe AMOR.

Quem me conhece sabe que sou de arrebatadoras paixões, vivo com a intensidade do momento e aprendi a fazer degustações da vida ao sabor do tempo, o certo, o que faz acontecer no momento em que estamos prontos para voltar a amar. E a escrita é um AMOR antigo. Tinha saudades de me cruzar neste corredor de palavras, de desenlear a lã condutora ao fio da criatividade. Que seja um AMOR eterno... e entenda-se por eterno, bom o suficiente para valer a pena!

(Esta mesa foi criada especialmente para o Dia de São Valentim, como uma sugestão de pequeno almoço romântico. Espero que vos sirva de inspiração).

Rita Malvar